Estudar a evolução dos logradouros de uma cidade muito nos ajuda a entender os fundamentos urbanos e mesmo os sociais e econômicos da história da urbe e do seu povo. Além de ser fascinante esse tipo de prospecção memorial.

Faz parte desse esforço de pesquisa entender os motivos das denominações dos logradouros que historicamente se legitimam como monumentos. Expressam ora a tradição popular, ora a serventia urbana, ora figuras importantes de sua existência.

Sobre os logradouros da cidade de João Pessoa, há uma razoável quantidade de abordagens historiográficas. A mais recente delas é do médico Edvaldo Brilhante Filho, da Sociedade Paraibana de Psiquiatria.

No livro, Os Médicos nas Ruas da Capital da Paraíba, da editora Ideia, ele une o zelo pela profissão que abraçou, a Medicina, a preocupações de historiador. Nesse sentido, aplicou-se na pesquisa sobre a trajetória de médicos e médicas homenageados em logradouros pessoenses.

Pela leitura, a gente fica sabendo que há muitos não paraibanos, mas com atuação digna das homenagens prestadas. Também se revela que, muito comumente, os homenageados atuaram para além do exercício da Medicina.

Uma crítica feita pelo autor do livro mostra-se absolutamente procedente. É que não existe, na maioria dos casos, referência à atividade profissional do agraciado com a perpetuidade representada nas placas. E isso não se restringe aos médicos. Com exceções, é uma situação predominante.

Com a sua contribuição intelectual, o médico Edvaldo Brilhante, natural de Coremas, mas com vida profissional inteiramente dedicada à capital paraibana, assume, plenamente, sua condição de Cidadão Pessoense, título que já lhe foi concedido pela Câmara Municipal de João Pessoa.

Afinal, João Pessoa é a cidade onde ele viveu a juventude, a partir de 1973, concluiu o curso de Medicina, e vem, desde então, exercendo o ofício médico.

(Foto: capa do livro)

*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.