A oficina de produção de doces, denominada “Entre Sabores e Identidades”, realizada pela coordenação LGBT da Prefeitura de Campina Grande, através da Secretaria de Assistência Social (Semas), em parceria com a UNIFIP, foi encerrada nesta quinta-feira (30) no Restaurante Popular Prato do Povo. A ação que ocorreu em três datas diferentes (16, 23 e 30) de abril, das 10h às 12h, contou com a participação de um grupo de pessoas LGBT, que além de aprender a preparar doces finos, também teve momentos de escuta e reflexão. O projeto é parte do trabalho de conclusão dos alunos do 9º ano do curso de psicologia da Faculdade.
Inicialmente, os participantes receberam um panfleto informativo com precificação de docinhos, bolos de pote, bem como o custo dos ingredientes como leite condensado, açúcar, corante, entre outros. Foram também convidados a refletir sobre figuras deixadas na mesa, onde cada um fez uma leitura rápida sobre o significado de cada imagem, refletindo na própria vida. A figura do lápis colorido, por exemplo, trouxe a percepção para alguns deles, de nova vida, recomeço, de uma vida mais leve e cheia de novas cores.
Além de falarem sobre o aprendizado na produção dos quitutes, alguns deles se sentiram encorajados a falar sobre situações de violência, da qual foram vítimas. É o caso da enfermeira, Y.P, que falou sobre um ciclo de violência doméstica vivido em um relacionamento no ano de 2020, e que por pouco, não foi vítima de feminicídio.
“Aprendi a fazer doces, mas sobretudo, como mulher trans, me senti acolhida por todos, inclusive para desabafar sobre essa terrível experiência vivida no período da pandemia. Silenciei por muito tempo pois não me sentia à vontade, nem mesmo em um serviço que desempenhava em prol das mulheres e população LGBT na época. Precisei ultrapassar essa barreira sozinha, sofri violência física, verbal, patrimonial e sexual. Hoje me sinto inclusa e precisamos lembrar que a mulher nunca está sozinha e precisamos falar do que nos incomoda para a nossa rede de apoio” disse a enfermeira.
A concluinte de psicologia e ministrante da oficina, Ana Paula da Silva, falou sobre a culminância do projeto. “Sabemos que infelizmente, na maioria dos casos, são pessoas que se sentem excluídas da sociedade, que sofrem caladas e além de aprender a fazer doces, eles aprendem a ser protagonistas da sua própria história, e acima de tudo, ´podem ganhar dinheiro a partir de mais um aprendizado. Trouxemos uma outra visão da psicologia, para mostrar pra eles que eles são capazes de fazer tudo o que quiser, para avançar ainda mais”, disse a futura psicóloga.
“Estamos gratos a UNIFIP por essa parceria que acontece de forma tão especial. Gratos ao apoio da nossa Secretaria, na pessoa do secretário Fábio Thoma, que tem dado total apoio a nossa causa, para que possamos trabalhar e alcançar ainda mais o nosso público LGBT”, disse a coordenadora do serviço, Bell Brasil.
Para o secretário, um momento necessário, onde a comunidade LGBT pode usufruir dos seus direitos de ir e vir, sobretudo, com a possibilidade de tornar-se protagonistas da sua própria história e quem sabe, futuros empreendedores, além de muito respeito e dignidade”, disse o secretário da Semas, Fábio Thoma.
No final os houve sorteio de brindes, cestas básicas e todos receberam certificados de conclusão do curso.














